Ondas de Calor: Como as Mudanças Climáticas já Estão Afetando Nossa Saúde Mental
- Ayumi Costa
- 2 de dez. de 2025
- 8 min de leitura

Nota: Esse foi um post totalmente feito pelo ChatGPT. O texto usado de base, no entanto, foi escrito por mim — um projeto de pesquisa que fiz no início do ano. Ele é um resumo e os temas e artigos também foram escolhidos, originalmente, sem o uso de IA. Confira orientações práticas para dias quentes no fim do texto!
Ao longo dos últimos anos, temos vivido uma sensação estranha de que o mundo está “aquecendo rápido demais”. E não é impressão. Entre 2015 e 2024 registramos os dez anos mais quentes da história recente, e 2024 provavelmente foi o primeiro ano a ultrapassar aquele famoso limite de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, segundo a Organização Meteorológica Mundial. No mesmo período, começaram a pipocar notícias sobre enchentes gigantes, secas longas, temporais destrutivos e, claro, ondas de calor que desafiam até quem cresceu acostumado com verão intenso. Só em 2024, mais de 150 eventos climáticos inéditos e mais de 800 mil pessoas deslocadas foram registrados em relatórios internacionais (Carrington, 2025). É uma mudança tão rápida que mal conseguimos acompanhar — e, enquanto isso, vamos tentando seguir a vida dentro desse novo clima.
O calor extremo, que antes aparecia como um incômodo passageiro, está ganhando outro significado. Hoje já existe um conjunto importante de estudos mostrando que temperaturas mais altas têm relação direta com sofrimento psicológico, piora de quadros como ansiedade e depressão, aumento de internações psiquiátricas e até com taxas maiores de suicídio. Uma revisão ampla de Charlson e colegas (2021) indicou que a maior parte da literatura científica recente encontra algum tipo de associação entre eventos climáticos e impactos negativos na saúde mental. Outros trabalhos reforçam que ondas de calor podem piorar o humor, aumentar o uso de substâncias, agravar sintomas psicóticos e até elevar o risco de morte entre pessoas com transtornos mentais, sobretudo aquelas que utilizam medicações que atrapalham a regulação da temperatura (Cianconi et al., 2020; Corvetto et al., 2023).
Quem são os mais vulneráveis ao calor?
Essa relação não é igual para todo mundo. Crianças, idosos, pessoas com menor renda, trabalhadores que passam o dia fora de ambientes climatizados, minorias sociais e indivíduos com problemas de saúde prévios sofrem mais. Entre pessoas idosas, por exemplo, já se observou aumento expressivo de internações associadas ao uso de substâncias após eventos climáticos extremos. E também há evidências mostrando que o risco de mortalidade relacionado ao calor cresce de forma significativa entre pessoas diagnosticadas com transtornos mentais (Charlson et al., 2021; Cianconi et al., 2020). Em outras palavras, o calor não atinge apenas o corpo. Ele atravessa condições de vida, desigualdades, acesso a cuidados e até o funcionamento mais básico da nossa fisiologia.
No Brasil, apesar de ainda termos pouca pesquisa na área, já existem dados importantes. Em Curitiba, Corvetto e colaboradores (2024) analisaram milhares de atendimentos psiquiátricos de emergência e encontraram um padrão curioso: em dias de calor moderado, quem mais buscava atendimento eram os usuários do SUS, talvez porque vivem em casas menos preparadas para enfrentar altas temperaturas ou trabalham em ambientes onde o calor é inevitável. Mas quando o calor chegava ao extremo, o movimento se invertia: a procura crescia entre pacientes da rede privada e diminuía entre os usuários do SUS. Isso indica que, quando o calor fica realmente insuportável, parte da população simplesmente não consegue acessar o serviço — seja por falta de dinheiro, de transporte, de flexibilidade no trabalho ou por medo do estigma em torno da saúde mental. E essa diferença também aparece entre homens e mulheres, reforçando a influência de fatores culturais no modo como cada grupo busca ajuda.
Calor e suicídio
Entre todos os temas estudados, talvez o mais delicado seja a relação entre calor e suicídio. Diversos estudos internacionais já registraram que aumentos mesmo pequenos na temperatura estão associados a elevação nas taxas de suicídio e de tentativas de suicídio, especialmente quando as ondas de calor duram vários dias (Burke et al., 2018; Helama et al., 2013; Corvetto et al., 2023). Em alguns países, variações de temperatura explicam boa parte das oscilações anuais nessas taxas. Em dias especialmente quentes, aumentam também os métodos mais violentos. E isso não parece ser apenas coincidência: alterações no sono, exaustão física, mudanças nos níveis de serotonina e dopamina e dificuldades no manejo das emoções durante períodos de calor intenso podem criar um ambiente interno mais vulnerável a impulsos perigosos (Cianconi et al., 2020).
Novas formas de sofrimento climático: Ecoansiedade, Ecoluto, e Solstalgia
Mesmo assim, para sentir os impactos da mudança climática na própria vida, ninguém precisa passar diretamente por um desastre natural. Há um conjunto crescente de experiências emocionais ligadas ao clima, como a solastalgia — aquele sentimento de perda ou tristeza quando o lugar onde você vive muda rápido demais — ou a ecoansiedade e o luto climático, que aparecem quando confrontamos repetidamente notícias, dados e imagens sobre o futuro ecológico do planeta (Albrecht et al., 2007; Cunsolo & Ellis, 2018). Esses sentimentos não são doenças; são reações compreensíveis a uma realidade que desafia nossas expectativas de estabilidade. Pesquisas mostram até que jovens, principalmente em países ricos, podem sofrer mais com esse tipo de ansiedade, talvez por estarem mais expostos às informações científicas e por perceberem um contraste maior entre o futuro que imaginaram e o que agora parece possível (Palinkas & Wong, 2020).
O lugar da psicologia (e da análise do comportamento) na crise climática
Tudo isso aponta para uma conclusão difícil, mas inevitável: as ondas de calor que vivemos atualmente não são apenas fenômenos climáticos; são eventos que moldam rotinas, desafiam sistemas de saúde, revelam desigualdades e mexem com nossas emoções, nossos relacionamentos e nossa sensação de segurança. A literatura científica, embora já robusta, ainda deixa lacunas. Faltam estudos em países de baixa e média renda, faltam investigações mais profundas sobre como esses efeitos variam entre grupos sociais e falta, sobretudo, pesquisa sobre intervenções realmente eficazes que ajudem a reduzir ou prevenir esses impactos psicológicos (Charlson et al., 2021; Thompson et al., 2023).
Nesse cenário, a psicologia — e especialmente a análise do comportamento — tem muito a contribuir. Essa área lembra que nenhum comportamento acontece isolado do ambiente e que problemas complexos como a crise climática envolvem contingências culturais, sistemas de reforço e práticas comunitárias de larga escala (Glenn, 1986; Todorov, 2012; Zilio, 2019). Muitos dos hábitos que aceleram a crise climática são reforçados por benefícios imediatos, enquanto seus impactos negativos são distantes no tempo. Isso cria uma dificuldade típica: mudar comportamentos individuais quando o custo parece grande e o benefício parece abstrato. Todorov (2010) já apontava que, enquanto a ciência busca responder com cautela e precisão, a urgência da crise exige decisões coletivas mais rápidas. Essa tensão aparece tanto na política quanto no cotidiano.
Se cada décimo de grau importa — como lembram relatórios internacionais (United Nations, 2024) — então entender o que leva as pessoas e as comunidades a agir, adaptar-se ou permanecer inertes é uma parte fundamental da resposta global. Há estudos mostrando que reforços imediatos, pequenas mudanças no ambiente, ações organizadas em comunidades e o fortalecimento de valores pró-ambientais podem ajudar mais do que intervenções focadas apenas no indivíduo isolado (Gelino et al., 2021; Lehman & Geller, 2004; Dal Ben et al., 2017). Em tempos de calor extremo, há ainda evidências de que comunidades mais coesas socialmente sofrem menos, reforçando a ideia de que a vida em coletivo é um fator protetivo (Mason et al., 2018).
Algumas soluções
Do ponto de vista da saúde pública, há várias estratégias possíveis que começam a ser discutidas, indo desde alertas para dias de calor extremo até políticas que facilitem o acesso ao SUS, passando por busca ativa de grupos vulneráveis e campanhas de informação que diminuam o estigma em torno da saúde mental. Também há um consenso crescente de que políticas de mitigação climática são essenciais, porque sem elas continuaremos pressionando sistemas de saúde e aumentando o sofrimento humano ano após ano (Corvetto et al., 2023; Ebi et al., 2021).
O fato é que o calor que sentimos hoje não é apenas um incômodo de verão. Ele já está alterando padrões de adoecimento, moldando a procura por serviços de saúde, influenciando emoções e transformando o modo como vivemos. Olhar para esses impactos com seriedade — e ao mesmo tempo com linguagem clara, acessível e próxima do cotidiano — é parte essencial do desafio. A psicologia tem um papel central nisso, tanto para entender o que está acontecendo quanto para ajudar a construir respostas mais cuidadosas, humanas e eficazes. Afinal, não existe saúde mental sólida em um mundo que se aquece tão rapidamente. E compreender essa relação é um passo importante para proteger tanto as pessoas quanto o próprio planeta.
Orientações e Cuidados para Dias Quentes/Ondas de Calor
Para encerrar, achei que seria útil fornecer algumas orientações para cuidar melhor da saúde em dias de calor. Por exemplo, você sabe a diferença entre uma insolação e umEssas recomendações foram todas retiradas do Yale Climate Connections.




Referências
Albrecht, G., Sartore, G. M., Connor, L., Higginbotham, N., Freeman, S. et al. (2007). Solastalgia: the distress caused by environmental change. Australasian Psychiatry, 15(Suppl. 1), S95–98.
Burke, M., González, F., Baylis, P., Heft-Neal, S., Baysan, C., Basu, S. et al. (2018). Higher temperatures increase suicide rates in the United States and Mexico. Nature Climate Change, 8, 723–729.
Carrington, D. (2025). More than 150 “unprecedented” climate disasters struck world in 2024, says UN. The Guardian.
Charlson, F., Ali, S., Benmarhnia, T., Pearl, M., Massazza, A. et al. (2021). Climate Change and Mental Health: A Scoping Review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18, 4486.
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Corvetto, J. F., Helou, A. Y., Kriit, H. K., Federspiel, A., Bunker, A., Costa, L. F. et al. (2024). Private vs. public emergency visits for mental health due to heat. Science of the Total Environment, 934, 173312.
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