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Honne (本音) e Tatemae (建前)

  • Foto do escritor: Ayumi Costa
    Ayumi Costa
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura
A Retsuko de Aggretsuko é um bom exemplo. (Fonte: Meb90)
A Retsuko de Aggretsuko é um bom exemplo. (Fonte: Meb90)

Já ouviu falar em Honne e Tatemae?


Honne (本音) é composto pelos kanjis de “verdade” e “som” e se refere aos sentimentos sinceros de uma pessoa. Em contraste, tatemae (建前) é formado pelos kanjis de “construção” e “frente”, e indica a face pública que alguém performa levando em consideração a harmonia e os sentimentos dos outros.


Há quem considere o tatemae uma forma de falsidade ou iguale esse tipo de conduta a uma mentira, mas japoneses entendem que não expressar seus verdadeiros sentimentos pode ser um sinal de respeito, de escolher poupar os outros de seus conflitos privados por reconhecer que todos estão passando por dificuldades, além de uma escolha por expressar o que seria mais benéfico ou apropriado socialmente, por exemplo, e o que poderia fazer com que os outros se sentissem bem.


Naito (1992) viu na moralidade japonesa um relativismo dependente das particularidades da situação e da divisão do espaço moral em “territórios” como Giri (義理, deveres ou obrigações formais) e Ninjo (人情, perspectiva empática de cuidado). Isso pode levar a julgamentos morais independentes a depender do território considerado e a conflitos entre esses pontos de vista.


Alguns japoneses consideram que é importante para um adulto saber utilizar o honne e o tatemae de forma hábil a depender da situação. Isso muitas vezes envolve encontrar uma harmonia ou equilíbrio sutil entre os dois, e não uma síntese em um domínio lógico.

O honne normalmente é reservado apenas para as interações mais próximas (como amigos, cônjuges ou família), ao passo que o tatemae é frequentemente usado em um contexto público e profissional. O honne, no entanto, é em geral sugerido mesmo na expressão do tatemae, e cabe ao interlocutor saber ler entre as linhas para decifrá-lo. Isso pode ser uma grande fonte de conflitos em interações interculturais. 


Isso pode gerar uma forma de contracontrole, em que japoneses ficam extremamente sensíveis a sinais emocionais ambíguos. Um estudo interessante observou como alguns estudantes japoneses percebiam várias expressões faciais e constatou (apesar da amostra pequena) que sorrisos menos intensos já eram entendidos como um sinal de que alguma outra emoção “negativa” pudesse estar presente.


Em obras de ficção, não é incomum ver personagens se esforçando para sorrir e performar uma atitude positiva enquanto tentam mascarar tristeza, raiva, ou alguma outra emoção dolorida. Você já viu algo assim na mídia japonesa? Você se pega fazendo isso às vezes, e, se sim, qual sente que é o impacto que isso tem para você e suas relações? Será que isso está servindo de fato para criar um ambiente mais harmônico e cuidadoso?


Referências


Naito,T.,  and  Gielen,  U.  (1992). Tatemae  and  Honne:  A  Study  of moral  relativism  in  Japanese culture..In  Gielen,  Uwe  P.,  Leonore  Loeb  Adler  and  Noach  Milgram  (Eds.).  Psychology  in international perspective. Swets and Zeitlinger: Amsterdam, 161-172.

曹蓮, & 杉森伸吉. (2020). 日本人は表情から本音と建前の感情をどのように認知するのか? [Review of 日本人は表情から本音と建前の感情をどのように認知するのか?]. 感情心理学研究, 28(Suplemment), 3. https://doi.org/10.4092/jsre.28.Supplement_ps03

 
 
 

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