Futoko: Crianças Japonesas que Abandonam as Escolas
- Ayumi Costa
- 3 de fev.
- 5 min de leitura
Atualizado: 30 de mai.

皆さんこんにちは、こんばんは。
Hoje, vamos falar sobre crianças japonesas que não querem ir à escolas, chamadas de futoko (不登校).
O que são os futoko?
De acordo com o MEXT, o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão, futoko são crianças que, por algum motivo emocional, psicológico, físico ou social, deixam de frequentar a escola por mais de 30 dias no ano. Isso pode acontecer tanto porque não querem ir, quanto porque não conseguem, mas não se enquadram aqui os casos relacionados a doenças físicas ou questões econômicas. Alguns futoko começam a faltar já no primeiro ano do ensino primário, e o número aumenta nos últimos anos do que seria o ensino fundamental no Japão.
O Ministério também relatou que o número de futoko tem crescido e atingiu seu pico em 2024: cerca de 346 mil crianças do primário e fundamental estavam nessa condição, além de 69 mil no colegial. Durante a pandemia de COVID-19, houve uma grande alta nesses números, o que deixou as instituições em alerta. Atualmente, o crescimento diminuiu, o que traz alguma esperança, mesmo com o aumento do total absoluto de casos.
Por que as crianças deixam de ir à escola?
Shiko Ishii, editor-chefe do jornal Futoko Shinbun (不登校新聞), e que também foi futoko quando jovem, explica que quando uma criança se recusa a ir à escola, é natural que os pais fiquem preocupados, com medo do impacto que isso pode ter no futuro dela. Ele ressalta, no entanto, que forçar a criança a voltar só piora a situação. Ishii sugere que os pais encarem a recusa como uma “gripe do coração”: a criança precisa de tempo para se recuperar antes de estar pronta para retornar.
Segundo Ishii, as principais razões para uma criança se tornar futoko são: ansiedade de separação, bullying (ijime), dificuldades no relacionamento com professores ou condições como alta sensibilidade e neuro divergências sem cuidado adequado. Já o site Futoko Support Navi acrescenta outros fatores, como problemas familiares (financeiros ou emocionais), dificuldades acadêmicas ou envolvimento com delinquência. As causas podem ser muitas, e por isso é essencial que os pais escutem a criança para entender o que está acontecendo.
Ishii também alerta que muitas crianças futoko carregam feridas emocionais profundas, e conversar com professores ou profissionais da escola nem sempre vai fornecer todas as respostas. Ele ainda comenta que tentar negociar horários reduzidos na escola, como ir só em alguns dias ou por períodos curtos, não é uma solução ideal. Isso porque, segundo ele, a criança apenas "aguenta calada", acumulando gaman (uma forma de perseverança silenciosa diante de dificuldades).
O que pode ajudar?
Ishii recomenda três ações principais para os pais:
Procurar uma free school (フリースクール), uma escola especializada em receber crianças futoko.
Buscar apoio em um kyouiku shien sentaa (教育支援センター), um centro público de suporte educacional.
Conversar com uma escola de nível educacional superior ao que a criança frequenta atualmente (por exemplo, se ela está no fundamental, procurar uma escola colegial).
Essa última sugestão pode parecer estranha, mas Ishii explica que as escolas que a criança já frequenta podem estar muito focadas em fazê-la voltar logo, o que pode limitar as possibilidades de cuidado. Já as escolas de nível superior tendem a ter uma visão mais ampla, por já terem lidado com casos semelhantes.
Um estudo de Miyara et al. (2022), que entrevistou seis ex-futokos que conseguiram voltar à escola, descobriu que todas as histórias de sucesso começaram com uma base sólida de apoio familiar. Sentindo-se aceitas e pertencentes mesmo após deixar de ir às aulas, essas crianças decidiram, por conta própria, se matricular em uma free school. Lá, tiveram boas interações com colegas, o que ajudou a reconstruir sua autoconfiança e a acreditar novamente na capacidade de formar laços sociais.
Com o tempo, muitas dessas crianças observaram colegas da free school retornando ao ensino tradicional e decidiram fazer o mesmo. O estudo também mostrou que, nesse processo, algumas crianças enfrentaram sentimentos de comparação com colegas da mesma idade, o que gerou angústias. Miyara recomenda que pais e professores evitem reforçar essas preocupações e, em vez disso, ofereçam apoio e incentivo às suas iniciativas espontâneas de buscar novas experiências. Atividades sociais como passeios e outras interações no meio coletivo ajudam a diminuir o risco de a criança se tornar um hikikomori (recluso social).
Qual é o papel das escolas e instituições?
Ishii acredita que o ideal é escolher um local onde a criança se sinta bem e à vontade. Ele explica que se ela puder se sentir valorizada no presente, isso vai contribuir para seu bem-estar e futuro. Esse lugar pode ser uma free school, uma escola alternativa ou até aulas de reforço. A experiência mostra que, quando se sente acolhida, a criança tem mais chances de se recuperar e encontrar seu caminho na sociedade.
O MEXT, em comunicado recente, também recomendou que as crianças não sejam pressionadas a voltar à escola. O ministério sugeriu que esse período de afastamento pode ser uma oportunidade de reavaliação para elas. Ao mesmo tempo, reconheceu que há riscos de prejuízos educacionais e sociais nesse movimento, o que reforça a necessidade de colaboração entre escolas tradicionais e instituições alternativas. O objetivo é identificar e eliminar os fatores que dificultam a adaptação dessas crianças.
Para isso, o Ministério criou o plano COCOLO (Comfortable, Customized and Optimized Locations of Learning), que busca integrar melhor os serviços de apoio às crianças futoko. Entre as medidas previstas estão a flexibilização do ambiente escolar (com aulas online e salas especializadas) e iniciativas para tornar as escolas mais acolhedoras para crianças com deficiências ou estrangeiras, além de esforços para combater o bullying.
Bem, essa foi apenas uma breve introdução ao tema das futokos. Esse assunto se conecta a outros temas importantes, como o impacto psicológico dessa situação nos pais ou cuidadores, além do fenômeno dos hikikomori, que são como um paralelo dos futoko na vida adulta. Se você quiser que eu escreva sobre algum desses tópicos, deixe um comentário abaixo!
では、またこのブログでお会いできるのを楽しみにしています。
Referências
不登校の8つの原因とその対応方法 - 不登校の原因・対策解説ノート. Disponível em: <https://www.futoukou-navi.com/note/kihon/genintotaisaku.html>. Acesso em: 29 jan. 2025.
石井 志昂. 「子どもの不登校」親がやっていいことダメなこと 「学校に行きたくない」と言ったらまず休ませて. Disponível em: <https://toyokeizai.net/articles/-/634705>. Acesso em: 28 jan. 2025.
宮良淳子; 柴裕子; 市江和子. 不登校からフリースクールを経て 再登校を決めた経験者の心理的プロセス. 日本看護研究学会雑誌, v. 45, n. 2, p. 327–338, 2022.
文部科学省. COCOLOプラン 誰一人取り残されない学びの保障に向けた不登校対策について. Disponível em: <https://www.mext.go.jp/content/20230418-mxt_jidou02-000028870-cc.pdf>. Acesso em: 29 jan. 2025.






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